A historia de Stepan Bandera, o ideólogo do neonazismo ucraniano

 


Stepan Bandera homem  pintado como herói pela direita ucraniana e seu pensamento possui profunda influência na política do país e nos grupos paramilitares neonazistas como o Batalhão Azov.


Stepan Bandera nasceu 1909 na aldeia de Staryi Uhryniv, no distrito de Kalush, Galícia (Oblast de Stanyslaviv), então parte do Império Austro-Húngaro. O seu pai, Andriy Bandera, era o sacerdote greco-católico em Uhryniv Staryi. A sua mãe, Myroslava Bandera, também pertencia à família do clero, era era filha de um padre grego–católico de Staryi Uhryniv.

Stepan passou a sua juventude em Staryi Uhryniv, na casa dos seus pais e avós, num ambiente familiar francamente nacionalista. Na primavera do 1922, a sua mãe faleceu, vítima de tuberculose.


Desde 1922 Bandera foi o membro do Plast – organização dos escuteiros ucranianos - e, em 1931 Bandera tornou-se o representante dos escuteiros da sua região.


Foi chefe executivo regional da OUN e comandante da UVO – organização militar ucraniana que operava clandestinamente na Polónia, durante Segunda República Polaca (1918–1939). Em 1933 Stepan Bandera cria um movimento revolucionário com vista à instauração de um estado ucraniano. Foi condenado à morte por sua participação no assassinato de Bronisław Pieracki, Ministro do Interior do governo polaco, em 1934, sendo a pena comutada para prisão perpétua. Mas, depois da invasão alemã da Polônia, foi libertado e voltou à cidade de Lviv.


Bandera viu a oportunidade de conseguir apoio dos nazistas para conquistar a independência da Ucrânia.

“Depois do avanço dos nazista a leste, Bandera se tornou um colaboracionista do nazismo. Ele foi recrutado pela inteligência alemã para auxiliar na tomada da Galícia. Durante as primeiras semanas da ocupação, cerca de 7 mil judeus foram mortos apenas na cidade de Lvov. Bandera também foi o responsável pela criação de dois batalhões da SS” A partir daí, o líder da OUN foi treinado pelos alemães para atuar como contraespião nas regiões ocupadas pela União Soviética. 

 

 Bandera cresceu suas aspirações para tentar transformar seu país em uma república independente. “De orientação fascista"  Bandera queria acabar com o domínio Soviético na Ucrânia e declarar o país independente e livre. Quando, em 1941, os nazis tomaram a região de Lviv, Bandera assinou uma declaração de independência da Ucrânia, proclamando aliança com a Alemanha nazi. Porém, não eram esses os planos de Hitler que recusou a reconhecer a independência da Ucrânia, chegando a ordenar a Bandera que retirasse a declaração. Ao recusar a ordem do Führer, Bandera foi preso no campo de concentração de Sachsenhausen, tendo sido libertado em 1944 



 “Ele foi preso pelos nazistas e foi levado para campos de concentração. Seu tratamento não foi o mesmo dado para os outros presos” 



  Após anos preso, Bandera retorna ao front. “Quando os soviéticos avançavam em direção a Oeste e começaram a libertar a Ucrânia, ele foi chamado novamente para colaborar com os nazistas e aceitou” 


As tropas do Exército Vermelho ganham dos nazistas e Bandera se torna uma foragido. O nacionalista se esconde com apoio de seguranças da SS e existem até suspeitas de que ele teria recebido auxílio do serviço secreto britânico.  Em 1959 , aos 50 anos, Stepan é assassinado pela KGB. Em  Munique, Alemanha Ocidental. 



“Vale ressaltar que Bandera foi um dos agentes do Holocausto e seu pensamento era supremacista, contra os judeus, contra os moscovitas – como ele se referia aos russos -, contra os poloneses e até contra os húngaros”



 A ideologia defendida por Bandera era coincidente com a os nazis, principalmente no ódio aos judeus. Afirmava que os judeus na Ucrânia estavam na origem do imperialismo comunista, que eram apoiantes da revolução bolchevique e, por isso, deveriam ser destruídos.


Mais de 1,5 milhões de ucranianos judeus foram mortos durante este período. Na cidade Drohobych, onde há também uma estátua em homenagem a Bandera, praticamente todos os 15 mil judeus que lá viviam foram assassinados. Também a OUN, que manteve a atividade mesmo durante o período em que Bandera estava preso, levou a cabo o assassínio de milhares de polacos e procedeu a operações de limpeza étnica nas regiões de Volhynia e na Galicia de leste. Estima-se que durante os dois anos em que realizaram campanhas, mais de 100 mil pessoas foram mortas. 



“Foi em 2010, no governo Yushchenko que esse processo começou. Ele decretou que Stepan Bandera ganhasse o título de Herói Nacional. A medida causou grande polarização na sociedade ucraniana, que não concordava com um colaboracionista do nazismo sendo alçado a esse posto”



“Houve um processo de revisionismo e falsificação histórica. Hoje, os nacionalistas afirmam que a associação de Bandera ao nazismo foi ‘invenção soviética’ e que ele não colaborou com o nazismo, o que é mentira”



 “Hoje, no Oeste da Ucrânia, ele se tornou uma figura realmente importante. Quadros com seu rosto estão em gabinetes de políticos, em prédios públicos. No Donbass e na Crimeia isso não ocorre” .



O presidente Volodymyr Zelensky anunciou a proibição de 11 partidos ucranianos por serem “pró-Rússia”. Entre eles, estavam diversas organizações de esquerda. 

Hoje eles trocaram estátuas de soldados soviéticos por estátuas de Banderas, também nomes de ruas. Em busca de reivindicar a figura de Bandera como herói.

Uma rua na cidade ucraniana de Vinnitsa batizada em homenagem ao escritor russo Leon Tolstoi foi renomeada em homenagem ao líder nacionalista ucraniano e colaborador nazista Stepan Bandera



A iniciativa faz parte de uma campanha para remover as denominações russa e soviética em Vinnitsa, no âmbito da qual um total de 232 ruas, becos, avenidas, praças e parques foram renomeados. Alguns desses locais urbanos receberam os nomes do cosmonauta Yuri Gagarin, do poeta Alexander Pushkin ou de generais soviéticos como Nikolai Vatutin e Ivan Cherniakhovski, que participaram da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo que o regime de Kiev tente, a HISTÓRIA NÃO PODE SER REESCRITA!





Por: Ale Kunz




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